Sindseg SC

Furtos e roubos relacionados ao consumo e a venda de drogas preocupam em Blumenau

01/02/2018


Floricultura foi assaltada quatro vezes em menos de um mês e precisou reforçar segurança
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

–Como a gente já sofreu muitas vezes com esse tipo de situação, a gente já não dorme mais tranquilo. Só espera alguém ligar ou o alarme tocar para sair correndo e tentar salvar alguma coisa – comenta o proprietário de uma floricultura, José Benjamin Pastorello, que teve o estabelecimento invadido quatro vezes em menos de um mês em Blumenau.

O primeiro furto aconteceu no dia 25 de dezembro de 2017, dois dias depois o segundo e em janeiro outros dois: dia 15 e outro na madrugada do dia 23. Durante as invasões flagradas pelas câmeras de segurança instaladas na loja, o ladrão levou ferramentas, equipamentos e produtos da floricultura localizada na Velha Central. No mesmo período – de 25 de dezembro de 2017 a 23 de janeiro deste ano –, conforme levantamento da reportagem do Santa, a Polícia Militar registrou 100 ocorrências de furtos e roubos, que segundo especialistas na segurança pública podem estar relacionados ao tráfico de drogas. Segundo levantamento, um furto foi cometido a cada nove horas na cidade.

– Farmácias, conveniências, mercadinhos e bares, que permanecem abertos até mais tarde, são bastante visados pelos “soldados do tráfico” e por usuários “avulso” que precisam conseguir dinheiro para adquirirem mais drogas e, principalmente, para quitar dívidas com os fornecedores – cita o coronel aposentado do Exército e especialista em segurança, Eugênio Moretzsohn.

Quatro bairros concentram os casos atendidos no período

Os 80 furtos e 20 roubos registrados em Blumenau durante o período foram concentrados em quatro bairros, segundo relatórios de casos atendidos pela Polícia Militar. A Itoupava Norte lidera a lista com 10 casos, seguido por Itoupava Central e Velha, ambos com nove registros. Salto do Norte e Itoupava Central, por exemplo,tiveram mais roubos, ambos com três casos, e Itoupava Norte mais furtos, com oito registros.

Segundo o comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, o tenente-coronel Jefferson Schmidt, esses delitos considerados menores estão diretamente ligados ao consumo de drogas:

– É uma relação óbvia, os pequenos furtos alimentam a cadeia dos usuários que não têm condições de adquirir a droga e cometem esses crimes para conseguir os valores. Posso afirmar que grande parte dos pequenos furtos em comércios tem relação com a drogadição, e não consigo vislumbrar uma solução a curto prazo se não for algo envolvendo o esforço da sociedade. A legislação é branda e há muita reincidência: a PM prende um autor de furto ou usuário de drogas e no dia seguinte ele está na rua – destaca Schmidt.

Ainda de acordo com o comandante, a PM acredita que parte dos crimes nem chega às estatísticas pois não são registrados pelas vítimas. Os boletins, no entanto, ajudam a corporação no combate e na identificação dos envolvidos.

Polícia Civil vê redução nos índices

O balanço do primeiro ano da Divisão de Repressão a Roubos de Blumenau após a reativação, feita em dezembro de 2016, mostrou a redução nos crimes contra o patrimônio. Segundo dados divulgados pelo delegado da DIC, Egídio Maciel Ferrari, as ocorrências registradas até 20 de dezembro do ano passado caíram, em média, 48% – de 629 em 2016 para 326. Neste ano a Polícia Civil de Blumenau vai ganhar uma Divisão de Repressão a Entorpecentes. A unidade terá à frente o delegado Rodrigo Raitz e mais um escrivão e quatro agentes para investigar casos ligados ao tráfico de drogas. A novidade foi possibilitada pela vinda de novos policiais civis para a cidade no fim do ano passado e é motivada pelo sucesso da reativação da Divisão de Repressão a Roubos. 

 No âmbito da PM, o comandante Schmidt destaca uma redução nos furtos em residência no fim do ano. Com esforço da polícia na Operação Viagem Segura – que fez rondas em casas cadastradas – o número de moradores furtados durante as férias caiu.

Insegurança é crescente

Por consequência, a sensação de insegurança permanece na comunidade. Pastorello, vítima constante dos furtos e que hoje tem oito câmeras e sensores espalhados pela floricultura para evitar novos casos, conta que toda a vizinhança está apreensiva com a situação. Vizinhos e comerciantes instalaram câmeras para evitar novos roubos e furtos na região, flagrar as invasões e monitorar o movimento de veículos e de pessoas que passam pelo local que é alvo frequente de furtos.

– Essa sensação de segurança é um bem intangível, mas, de elevado valor para a sociedade. Na mesma medida, a sensação de insegurança é sintoma grave de desesperança social, e seus efeitos podem impactar no mercado imobiliário e nas eleições. Embora os indicadores da polícia apontem para a elevação do número de armas e drogas apreendidas, de operações contra as organizações criminosas, de prisões e de investigações concluídas, a sociedade perdeu a sensação de segurança que vivia nos anos 1980-1990, e a culpa é dela mesma, pois, são os usuários de drogas  ilícitas os maiores financiadores de toda essa violência. Somente a sociedade pode corrigir essa rota, e boa oportunidade está por vir nas próximas eleições – enfatiza Moretzsohn.

Outros cinco furtos em um dia

Na segunda-feira, fora do período analisado, Blumenau registrou outros cinco furtos, segundo relatório da Polícia Militar. O primeiro caso aconteceu às 7h25min na empresa Arquitetura Móveis, bairro Fortaleza, de onde foram levadas ferramentas e R$ 2 mil. Meia hora depois, outro arrombamento foi registrado em uma escola na Rua Presidente John Kennedy, no Centro. Do local foram levadas serras, plainas, esmerilhadeira, furadeiras e parafusadeiras, lanternas e chaves de fenda furtadas. Por volta do meio-dia um forno elétrico, um micro-ondas e um televisor 43 polegadas foram furtados em uma casa na Rua Francisca Perkowski, no Boa Vista. À tarde, outras duas ocorrências foram registradas. Às 13h30min, na Rua Dr. Paulo Aldinger, na Escola Agrícola, um homem de 45 anos foi flagrado furtando rolos de fio de cobre de um residência que estava para alugar e o último furto aconteceu por volta das 15h na Rua General Osório, na Velha. De uma casa foram levados um liquidificador e um forno elétrico.

Fonte: NSC Santa - Jornal de Santa Catarina

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