Indenizações por eventos climáticos severos batem recorde no Reino Unido em 2025, diz Association of British Insurers

Eventos severos de origem climática tornam-se cada vez mais custosos para seguradoras britânicas que oferecem coberturas para residências. Em 2025, as companhias pagaram £6,1 bilhões por danos a imóveis e bens dos moradores, informa a Association of British Insurers (ABI), a entidade de representação das seguradoras do Reino Unido. Esse montante é o maior valor anual pago na história das seguradoras por perdas cobertas pelos seguros residenciais.
“Mais uma vez, estamos vendo o impacto que as condições climáticas cada vez mais severas estão causando em casas e empresas em todo o Reino Unido. Um valor recorde de £ 6,1 bilhões em indenizações por danos a imóveis no ano passado demonstra tanto a dimensão dos prejuízos quanto o papel fundamental que as seguradoras desempenham para ajudar as pessoas a se recuperarem”, afirmou executivo Chris Bose, diretor de Políticas de Seguros Gerais da ABI.
Ao longo do ano, as seguradoras pagaram £1,2 bilhão em indenizações por danos materiais relacionados ao clima, aumento de 14% (£142 milhões) em relação a 2024. Desse total, as indenizações por danos causados pelo clima às casas e aos bens das pessoas representaram £758 milhões.
Os danos por tempestades a residências atingiram £244 milhões em 2025, alta de 32% em relação ao ano anterior. O valor médio das indenizações por danos causados por tempestades em 2025 chegou a £2.450, £750 a mais do que em 2024. O custo das indenizações por inundações residenciais aumentou 38% (para £312 milhões), e o valor médio das indenizações pagas a proprietários de imóveis também aumentou significativamente, em 60%, chegando a £30.000.
Verão mais quente já registrado no país favoreceu afundamento do solo e indenizações por subsidência no Reino Unido
Embora tempestades e inundações tenham desempenhado um papel significativo no aumento das indenizações, os efeitos mais amplos de eventos climáticos extremos também se estenderam à subsidência(*) do solo. O Met Office (Serviço Meteorológico do Reino Unido) relatou que o verão de 2025 foi o mais quente já registrado no país, criando condições que podem aumentar o risco de retração do solo e da terra, o que fez com que as indenizações por subsidência no Reino Unido subissem para £ 307 milhões, um aumento de 10% (£ 27 milhões) em relação ao ano anterior, atingindo seu nível mais alto já registrado.
Em 2025, as seguradoras pagaram quase £ 3,4 bilhões em mais de 560.000 indenizações de seguros residenciais. O valor médio das indenizações aumentou 15% em relação ao ano anterior, subindo quase £ 800, para £ 6.000.
“A ação governamental é essencial para proteger as comunidades do impacto crescente de eventos climáticos extremos. Isso inclui regras de planejamento mais rigorosas para impedir a construção em áreas de alto risco de inundação e projetar casas com foco na resiliência”, declarou Chris Bose.
Os dados mais recentes sobre prêmios da ABI mostram:
- O preço médio do seguro residencial que inclui o imóvel e o conteúdo da residência no quarto trimestre de 2025 foi de £379, £14 a menos em comparação com o mesmo período de 2024.
- No último trimestre de 2025, o custo médio do seguro que cobre apenas o imóvel caiu para £312, ante £323 no quarto trimestre de 2024.
- O preço médio do seguro de conteúdo residencial no quarto trimestre de 2025 foi de £122, £14 a menos em comparação com o mesmo período de 2024.
A propósito, o que é subsidência?
Subsidência é um movimento lento de afundamento do terreno, geralmente vertical, causado por deformação ou deslocamento. Já colapso é movimento brusco de afundamento do terreno, com características semelhantes à subsidência, porém de forma repentina.
Há diversas causas dessas ocorrências. Processos naturais, como dissolução de rochas (carstificação) ou acomodação de camadas devido ao peso ou deslocamentos em planos de falhas; processos acelerados por ação antrópica, desde bombeamento de águas subterrâneas, acréscimo de peso por obras e estruturas, mineração subterrânea.
Há ainda solos que sofrem adensamento repentino quando carregados e umedecidos, devido ao colapso da estrutura porosa e não saturada. Há ocupação de regiões cársticas favoráveis ao afundamento- são construções em áreas de rochas calcárias podem causar colapsos, como em Cajamar-SP e Vazante-MG.
Diversos exemplos nacionais e internacionais ilustram os fenômenos de subsidência e colapso do solo. O afundamento gradual atinge diversas cidades no mundo.
Jacarta, na Indonésia, se transformou no exemplo mais emblemático desse processo — a ponto de o governo decidir transferir a capital do país diante do rápido afundamento da cidade.
Fenômeno atinge diversas cidades no mundo
O fenômeno da subsidência, contudo, já afeta diversos centros urbanos ao redor do planeta. A retirada intensa de água subterrânea está entre as principais causas da perda gradual de sustentação do solo em cidades como Houston, nos Estados Unidos, Ho Chi Minh, no Vietnã, Istambul, na Turquia, Mumbai, na Índia, Auckland, na Nova Zelândia, e a Cidade do México.
Em regiões costeiras, o quadro torna-se ainda mais preocupante. Metrópoles como Boston, Nova Orleans e São Francisco convivem com o risco crescente de enchentes em razão da combinação entre o rebaixamento do terreno e a elevação do nível do mar. Na China, estudos apontam que quase metade das grandes cidades apresenta algum grau de afundamento do solo, impulsionado tanto pela exploração excessiva de aquíferos quanto pelo peso adicional imposto pela expansão acelerada do setor imobiliário e da infraestrutura urbana.
O problema também alcança áreas estratégicas para a transição energética. No salar do Atacama, no Chile, a extração de salmouras ricas em lítio — insumo essencial para baterias de veículos elétricos — vem provocando deformações no terreno, já que o volume retirado supera a capacidade natural de reposição hídrica dos aquíferos subterrâneos.
Em Washington, nos Estados Unidos, a subsidência ocorre por outro motivo: o derretimento gradual de camadas de gelo subterrâneo remanescentes da última glaciação. Nesse caso, porém, o processo avança de maneira mais lenta e é considerado menos crítico pelas autoridades locais.
Antecipar novos episódios de subsidência exige modelos capazes de combinar variáveis ambientais, climáticas e antrópicas, considerando também as transformações futuras desses fatores. Os riscos são especialmente severos nas zonas costeiras, onde o afundamento do solo se soma ao avanço do mar provocado pelas mudanças climáticas. O resultado é um cenário de crescente vulnerabilidade urbana, marcado pela ampliação do risco de inundações, deslocamentos populacionais e perdas econômicas e humanas de grande escala.
Fonte: CNseg | Notícias do Seguro