Na Sompo, inovação deixou de ser um departamento e passou a ser estratégia

Durante muitos anos, inovação dentro das empresas significava a existência de um departamento responsável por testar novas tecnologias enquanto o restante da organização seguia operando de forma tradicional. No mercado de seguros, esse modelo começa a ficar para trás. A velocidade das transformações digitais, a evolução da inteligência artificial e a necessidade de responder a um consumidor cada vez mais conectado fizeram com que a inovação deixasse de ser um projeto paralelo para ocupar um lugar estratégico dentro das companhias.
Na Sompo, essa mudança ganhou forma por meio do Sompo Digital Lab. Mais do que um laboratório voltado ao desenvolvimento de soluções tecnológicas, a iniciativa tornou-se um elo entre a operação brasileira e alguns dos mais importantes ecossistemas globais de inovação, aproximando a companhia de hubs localizados em Tóquio, no Vale do Silício e na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África). O objetivo é transformar conhecimento em resultados concretos, conectando tendências globais às necessidades do mercado brasileiro e acelerando a criação de soluções que beneficiem clientes, corretores e parceiros de negócios.
Para José Ricardo Paulino, Diretor de Estratégia, Inovação e Transformação da Sompo, a inovação faz parte da própria identidade da companhia e ganhou uma dimensão ainda maior com a criação do Sompo Digital Lab.
"A inovação sempre esteve presente na trajetória da Sompo. Como integrante de um grupo com mais de 138 anos de atuação e presença global, temos a oportunidade de combinar a experiência acumulada em diferentes mercados com a velocidade de evolução dos principais ecossistemas mundiais de tecnologia", afirma o executivo.
Essa conexão internacional permite que a operação brasileira acompanhe de perto tecnologias emergentes, novos modelos de negócio e experiências desenvolvidas em diferentes países. Ao mesmo tempo em que absorve conhecimento dos demais Digital Labs espalhados pelo mundo, o Brasil também contribui com projetos, experiências e casos de sucesso capazes de inspirar outras operações do Grupo Sompo.
Na prática, essa troca acelera a adoção de soluções digitais, melhora a análise de riscos, reduz etapas operacionais e amplia a capacidade da companhia de antecipar movimentos do mercado. "O resultado é uma companhia mais preparada para antecipar demandas e oferecer uma jornada cada vez mais eficiente para seus parceiros e segurados", destaca José Ricardo.
Mas talvez o maior impacto dessa transformação esteja na relação com um dos principais protagonistas do mercado: o corretor de seguros.
Em vez de utilizar a tecnologia para substituir pessoas, a estratégia da Sompo busca fortalecer a atuação consultiva dos profissionais. A ideia é reduzir o tempo dedicado a atividades operacionais para que os corretores possam concentrar esforços naquilo que realmente gera valor: compreender as necessidades dos clientes, orientar decisões e construir relacionamentos de longo prazo.
As iniciativas desenvolvidas pelo Digital Lab caminham justamente nessa direção. Processos como cotações, emissão de apólices, acompanhamento de propostas e gestão de carteiras vêm sendo simplificados por meio da automação inteligente e do uso estratégico de dados. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial passa a funcionar como uma ferramenta de apoio às decisões comerciais, oferecendo análises mais rápidas sobre oportunidades de negócios, perfil de clientes e características dos riscos, sem substituir o olhar técnico do corretor.
"O principal objetivo é permitir que o corretor dedique mais tempo à atividade de consultoria e relacionamento com os clientes e menos tempo às tarefas administrativas", resume José Ricardo.
Essa aproximação entre inovação e distribuição também ganhou novos formatos. Nos últimos meses, o Sompo Digital Lab passou a conectar corretores aos hubs de inovação parceiros da companhia, promovendo experiências de imersão e troca de conhecimento.
Foi o caso do Sompo Agro Day, realizado em Londrina (PR), em parceria com a Cocriagro, hub de inovação da Sociedade Rural do Paraná. O encontro reuniu especialistas, executivos e corretores para discutir tendências do agronegócio, riscos da próxima safra e novas soluções para o setor. A iniciativa incluiu ainda uma imersão no SRP Valley, parque tecnológico voltado à inovação no agronegócio. Outro exemplo foi a participação de corretores no AI Insurance Day, realizado na Distrito, um dos principais hubs de inovação da América Latina, onde especialistas debateram como inteligência artificial, ciência de dados e novos modelos operacionais estão redesenhando a indústria de seguros.
Se por um lado a transformação chega aos corretores, por outro ela também alcança praticamente toda a jornada do segurado.
Processos tradicionalmente associados à burocracia, como cotação, subscrição, análise documental, atendimento e gestão de sinistros, passam por uma profunda revisão dentro da companhia. A proposta não é simplesmente digitalizar etapas existentes, mas simplificar fluxos antes de automatizá-los, eliminando atritos e tornando toda a experiência mais intuitiva.
"O papel do Sompo Digital Lab é identificar quais tecnologias geram valor real para o negócio e para os clientes, evitando digitalizar processos complexos sem antes simplificá-los", explica José Ricardo. "Nosso objetivo é tornar a experiência mais intuitiva, transparente e ágil, preservando o papel consultivo que sempre caracterizou o mercado de seguros."
No centro dessa transformação está a inteligência artificial.
Enquanto muitas empresas ainda buscam compreender como utilizar essa tecnologia, a Sompo já contabiliza oito casos de uso implantados em processos considerados estratégicos para a operação. As soluções apoiam atividades de subscrição, gerenciamento de riscos, análise de informações e tomada de decisão, gerando ganhos de produtividade, redução do tempo de resposta e maior capacidade de desenvolver novos negócios.
Segundo José Ricardo, o avanço da IA dentro da companhia acontece de forma criteriosa.
"Temos o cuidado de avançar na agenda de inteligência artificial em oportunidades que realmente agreguem valor ao negócio, e não apenas desenvolver casos de uso para acompanhar uma tendência do mercado", ressalta.
A aplicação da ciência de dados também amplia a capacidade da seguradora de compreender riscos de forma mais precisa. Em vez de depender exclusivamente de modelos estatísticos tradicionais, a companhia utiliza recursos analíticos capazes de identificar padrões, antecipar tendências e apoiar decisões mais assertivas de precificação. O resultado é o desenvolvimento de produtos mais personalizados, aderentes às características de cada perfil de cliente e mais eficientes ao longo de toda a jornada do segurado.
Mas a tecnologia, por si só, não transforma uma organização.
Por trás do Sompo Digital Lab existe uma estratégia voltada para mudança cultural. O laboratório atua como um articulador entre diferentes áreas da companhia, aproximando equipes de tecnologia, operações, negócios e atendimento; de startups, universidades, pesquisadores e centros de inovação.
Essa cultura também se reflete internamente. Neste ano, a Sompo realizou seu primeiro hackathon corporativo voltado ao uso estratégico de dados e à criação de agentes de inteligência artificial capazes de apoiar o trabalho das equipes. A iniciativa reforça uma visão de inovação construída de forma colaborativa, estimulando experimentação, aprendizado contínuo e desenvolvimento de novas competências entre os colaboradores.
Mais do que acompanhar a evolução tecnológica, a Sompo aposta na construção de um modelo de negócios preparado para o futuro. Um futuro em que inteligência artificial, automação e ciência de dados deixam de representar apenas ganhos de eficiência operacional para se tornarem ferramentas capazes de ampliar a inteligência humana, fortalecer a gestão de riscos e entregar experiências mais relevantes para corretores e clientes.
Na Sompo, inovação já não ocupa uma sala específica dentro da empresa. Ela passou a orientar decisões, conectar pessoas, transformar processos e definir a estratégia de uma companhia que escolheu olhar para o futuro sem perder de vista aquilo que sempre sustentou o mercado de seguros: a confiança.
Fonte: Arthur Moraes | SulSeguro