Brasil tem gap de 90% na proteção contra eventos climáticos, aponta CNseg

O 3º Fórum IRB(P&D), realizado em 26 de agosto, no Rio de Janeiro, com apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) contou com a participação da diretora de Sustentabilidade da CNseg, Claudia Prates, no painel que tinha como tema “Desafios da indústria de seguros: proteção para famílias, PME e residências”. Junto com a diretora da CNseg estavam Otávio Ribeiro Damano, membro do Conselho de Administração do IRB(Re) e moderador; Luíza Terra, analista da Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda; e Nuno David, diretor-presidente da IRB(Seg) Vida.
A diretora de Sustentabilidade da CNseg colocou no centro da discussão o enorme déficit de proteção existente no país. Segundo Claudia, estudo realizado pela CNseg identificou um gap de 90% na proteção contra eventos climáticos, embora esses eventos já representem 12% dos sinistros das seguradoras.
A executiva apresentou também o trabalho desenvolvido pela CNseg para entender as necessidades das populações mais vulneráveis. A pesquisa realizada em parceria com o instituto Locomotiva identificou demanda por seguros acessíveis, inclusive produtos na faixa de R$ 10 a R$ 15 mensais para coberturas como acidentes pessoais e vida.
“Há demanda e existem seguros acessíveis”, afirmou Claudia.
Para ela, ampliar a proteção passa ainda por educação financeira e por uma mudança na forma como o brasileiro percebe o seguro. Claudia destacou que a baixa participação não se explica apenas pela renda: existe também um déficit de conhecimento sobre proteção e uma oportunidade para que o setor desenvolva produtos mais adequados às necessidades de cada público.
“Educação financeira é um ponto importantíssimo para o Brasil melhorar na economia”, afirmou.
Os riscos climáticos tornam esse desafio ainda mais urgente. Claudia destacou que menos de 20% das residências brasileiras possuem seguro e que a cobertura entre pequenas e médias empresas também é baixa. O resultado é uma sociedade mais exposta aos eventos extremos e uma maior pressão sobre o poder público quando as perdas acontecem.
A tecnologia aparece, nesse cenário, como uma das ferramentas para aproximar o seguro do consumidor. Ao comentar a transformação digital, Claudia defendeu que a inovação precisa estar presente desde a concepção dos produtos.
“É pensar o digital da origem”, resumiu.
Luíza Terra acrescentou ao debate a necessidade de compreender as diferenças entre gerações e desenvolver produtos a partir das necessidades efetivas dos consumidores. Para ela, simplesmente digitalizar produtos tradicionais não é suficiente.
“O caminho é pensar na origem em produtos digitais, em produtos ligados a essa questão tecnológica”, afirmou.
A analista também defendeu uma mudança na própria organização das seguradoras, com profissionais capazes de pensar soluções e produtos, e não apenas executar funções tradicionais.
“Precisamos de profissionais que pensem soluções, que pensem risco, que pensem produtos que façam sentido”, disse.
Na avaliação de Nuno David, o enorme déficit de proteção deve ser encarado principalmente como uma oportunidade de crescimento. O executivo lembrou que o seguro de vida vem apresentando forte expansão no Brasil nas últimas décadas e que ainda há amplo espaço para aumentar a proteção da população.
“A oportunidade que existe aqui é, portanto, nós podermos levar proteção para a sociedade”, afirmou.
Nuno também destacou o papel dos dados para compreender os chamados “momentos de vida” dos consumidores e oferecer proteção no momento em que ela faz mais sentido. Para ele, a economia dos dados abre possibilidades inéditas, mas exige atenção ao consentimento e à relação de confiança com o consumidor.
Encerrando o painel, Otávio Ribeiro Damano reforçou que conhecer a necessidade concreta do consumidor deve ser o ponto de partida para a criação de novos produtos.
“O que o produtor rural na ponta quer é seguro de renda”, exemplificou, defendendo que o setor precisa compreender o que as pessoas efetivamente desejam proteger para então desenvolver soluções adequadas.
Fonte: CNseg | Notícias do Seguro