Seguro Auto usa IA para tarifar uma frota mais cara, elétrica e blindada


O Seguro Auto continua sendo o gigante de arrecadação do mercado, mas é na forma de precificar, aceitar e reparar veículos que a revolução está acontecendo: uma frota mais cara, elétrica e blindada entra na mira de modelos de IA que consideram bilhões de variáveis para definir quanto o motorista paga e quais riscos a seguradora está disposta a assumir. 

Com apenas cerca de 30% da frota segurada, produtos que vão de R$ 200 a mais de R$ 40 mil por ano e um salto na blindagem, o ramo testa os limites da penetração ao mesmo tempo em que sofisticam a subscrição e a regulação de sinistros com dados, sensores e análise antifraude.

Mercado: gigante em arrecadação, limitado em alcance

Em 2025, o Seguro Auto movimentou cerca de R$ 61,6 bilhões em prêmios, o que representa aproximadamente 42,6% de todo o segmento de danos e responsabilidades, confirmando sua posição como principal linha desse grupo. O ramo cresceu perto de 6,8% na comparação anual, acima da inflação, mas ainda opera num teto histórico de penetração: só cerca de 30% da frota de veículos do país está segurada, o que significa que a maior parte dos motoristas roda sem proteção formal.

Esse descompasso entre volume de prêmios e alcance da cobertura revela um mercado robusto em receita, porém restrito em base segurada. Para seguradoras, o desafio é conciliar expansão de acesso com um portfólio de riscos cada vez mais heterogêneo, marcado por veículos elétricos, híbridos, blindados e equipados com tecnologias avançadas de assistência à condução.

Tecnologia: IA da cotação ao sinistro

O avanço da inteligência artificial transformou o Seguro Auto em um laboratório de modelos de risco em larga escala: empresas afirmam considerar “bilhões de variáveis” na análise de perfil, uso do veículo, região, histórico de sinistros e probabilidade de fraude. Sistemas de IA e machine learning cruzam informações de bases internas, dados públicos, telemetria, uso de aplicativos e relatórios de vistoria móvel para ajustar preço em tempo quase real.

Na subscrição, algoritmos refinam a segmentação por tipo de carro, trajeto, padrão de uso e histórico do condutor, criando faixas de risco mais granulares que os antigos perfis “básicos” por idade e CEP. Já na regulação de sinistros, a IA entra desde a triagem antifraude, com análise automática de fotos e laudos, até o encaminhamento para oficinas credenciadas, ajudando a reduzir prazos de reparo e custos operacionais.

Em paralelo, a supervisão da SUSEP sobre APVs, modelos de precificação e uso de dados busca garantir que a sofisticação tecnológica não se traduza em discriminação indevida ou falta de transparência no relacionamento com o consumidor.l

Produtos: da apólice de R$ 200 ao seguro de R$ 40 mil

O mercado oferece hoje uma prateleira de produtos que vai de coberturas básicas, em torno de R$ 200 anuais para veículos populares e perfis de baixo risco, até seguros que superam R$ 40 mil por ano para frotas corporativas, carros de luxo, blindados e elétricos de alta gama. A diferença de preço reflete não apenas o valor do bem, mas também custos de peças, sensores, baterias, mão de obra especializada e risco de roubo e violência em determinadas regiões.

A entrada de veículos elétricos e híbridos trouxe novas variáveis à precificação: baterias de alto custo, dependência de redes de assistência ainda em consolidação e sensibilidade a danos em sistemas eletrônicos. Em muitos casos, os seguros para esses modelos incluem coberturas específicas para danos em estações de recarga, incêndios relacionados ao sistema elétrico e perda total associada a avarias na bateria principal.

Seguros por assinatura, pay-per-use e proteções focadas em mobilidade urbana convivem com apólices tradicionais, compondo um mosaico de ofertas que tenta acompanhar a diversidade da frota e dos padrões de uso.

Automóveis: blindados, elétricos e ADAS em alta

A frota de veículos blindados mais do que dobrou em poucos anos, acompanhando a percepção de risco nas grandes cidades e levando o Seguro Auto a incorporar um novo patamar de complexidade. Dados da Associação Brasileira de Blindagem indicam que 42.800 veículos foram blindados em 2025, alta de 24,6% em relação a 2024, com o setor movimentando cerca de R$ 3,5 bilhões por ano.sbtnews.

Blindados exigem critérios específicos de subscrição: peso adicional, alterações estruturais, custo de reparos e risco agravado por uso em trajetos de maior exposição. Seguradoras trabalham com oficinas certificadas e protocolos rígidos de vistoria para dimensionar corretamente o risco e evitar sub ou super-seguro.

Ao mesmo tempo, cresce a participação de veículos equipados com ADAS (sistemas avançados de assistência à condução), que podem reduzir acidentes, mas elevam o custo de reparos por envolver sensores, câmeras e radares. Em cenários de chuva intensa, enchentes e ondas de calor, os impactos sobre eletrônica embarcada, baterias e sistemas de segurança reforçam o papel de IA e engenharia de risco para traduzir clima e tecnologia em preço e cobertura.

Fonte: CNseg | Notícias do Seguro