IA já está presente em 80% das seguradoras brasileiras, mas impacto ainda é incremental

IA já está presente em 80% das seguradoras brasileiras, mas impacto ainda é incremental

Levantamento realizado pela CNseg revela que 80% das seguradoras já implantaram soluções de IA, seja em processos internos ou em aplicações voltadas ao cliente

  • A Inteligência Artificial deixou de ser promessa e se tornou realidade no mercado segurador brasileiro.
  • Levantamento realizado pela CNseg com empresas que representam mais de 50% do market share do setor revela que 80% das seguradoras já implantaram soluções de IA, seja em processos internos, seja em aplicações voltadas ao cliente.
  • O dado confirma a consolidação da tecnologia como prioridade estratégica.

Mas revela também um ponto crucial: o impacto ainda é majoritariamente incremental.

Acesse o pdf da apresentação sobre a pesquisa Inteligência Artificial e o Setor de Seguros no Brasil, produzida pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg)

A fase atual: eficiência antes da disrupção

Segundo o estudo:

  • 77% classificam o impacto da IA como incremental
  • Apenas 4% apontam transformação disruptiva

Isso indica que o setor está em fase de amadurecimento.

O foco está em:

  • Organizar processos internos
  • Ganhar produtividade
  • Aprimorar capacidades tecnológicas
  • Reduzir custos
  • Antes de alterar profundamente o modelo de negócio.

Produtividade e experiência lideram a agenda

Quando questionadas sobre os motivadores da implementação de IA, as empresas foram claras:

  • 100%: aumento de produtividade
  • 81%: melhoria da experiência do cliente
  • 69%: automação de tarefas
  • 65%: redução de custos

Na prática, a IA está sendo aplicada em:

  • Desenvolvimento de código
  • Análise documental
  • Atendimento automatizado e chatbots
  • Avaliação de qualidade de chamadas
  • Processamento de sinistros
  • Apoio à subscrição

O foco é fazer melhor - e mais rápido - o que já é feito hoje.

Investimentos crescentes: R$ 2,3 bilhões em 2025

O levantamento estima que o setor tenha investido aproximadamente R$ 2,3 bilhões em IA em 2025. Para 2026, a projeção é de cerca de R$ 2,6 bilhões.

A maior parte das empresas ainda investe até 1% da receita, mas há tendência de expansão, especialmente entre seguradoras ligadas a bancos e multinacionais.

Redução de custos e ganhos operacionais

A adoção de IA já apresenta reflexos financeiros:

  • R$ 140 milhões em redução de despesas estimadas para 2025
  • Projeção de R$ 177 milhões em 2026

Além disso:

  • 88% afirmam aprimoramento das capacidades tecnológicas
  • 85% relatam melhoria da eficiência operacional

O ganho de receita, porém, ainda é modesto, majoritariamente até 1%.

Os desafios: legado tecnológico e ROI

A maturidade tecnológica do setor traz obstáculos importantes:

  • 69%: integração com sistemas legados
  • 58%: precisão e confiabilidade dos modelos
  • 52%: percepção de retorno sobre investimento
  • 70%: restrições orçamentárias

O setor convive com estruturas tecnológicas construídas ao longo de décadas. Integrar IA exige governança robusta, capacitação e visão estratégica de longo prazo.

Governança e modelo híbrido predominam

O modelo operacional mais adotado é híbrido:

  • 77% combinam desenvolvimento interno (build) com soluções de mercado (buy)

A tendência observada:

  • Início com governança centralizada
  • Evolução para estruturas híbridas ou federadas
  • Maior autonomia das áreas à medida que cresce a maturidade

O próximo ciclo: escala com foco no consumidor

O estudo aponta que:

  • 68% das empresas esperam ter processos totalmente automatizados em até cinco anos

O desafio agora é:

  • Escalar com responsabilidade
  • Garantir precisão e confiabilidade
  • Converter eficiência operacional em valor percebido pelo cliente
  • Avançar com ética e governança
  • A IA já entrega produtividade ao setor de seguros.

O próximo passo será transformar essa eficiência em impacto estrutural, ampliando proteção financeira, inclusão seguradora e capacidade de resposta a riscos cada vez mais complexos.

Fonte: CNseg | Notícias do Seguro