Sompo defende análise técnica e parceria para enfrentar volatilidade no transporte

A alta do diesel e a instabilidade provocada pelos conflitos no Oriente Médio acenderam um sinal de alerta no setor de transportes e, por consequência, no mercado segurador. Em entrevista ao Sonho Seguro, Adailton Dias, diretor executivo de Produtos e Resseguro na Sompo, afirma que a companhia acompanha de perto os desdobramentos desse cenário e mantém diálogo constante com suas resseguradoras, mas ressalta que, até o momento, não há decisão de repassar automaticamente essa volatilidade para os preços dos seguros.
Segundo ele, a seguradora tem buscado atuar de forma próxima de corretores, embarcadores, transportadores e segurados para compreender a realidade de cada operação e preservar relações de longo prazo baseadas em parceria e transparência. Na avaliação do executivo, momentos de maior incerteza naturalmente levam o mercado a aprofundar análises, mas isso não significa, necessariamente, restrição generalizada na aceitação dos riscos.
Dias destaca que a Sompo não vê, neste momento, necessidade de rever a precificação dos produtos de forma ampla, seja no seguro de transporte, de frota ou de responsabilidade civil. Ele observa que decisões dessa natureza dependem de análises técnicas consistentes, que levam em conta fatores como histórico da carteira, perfil de risco e sustentabilidade do negócio no médio e no longo prazo. Para o executivo, não há espaço para reações automáticas ou generalizadas em um ambiente que exige avaliação criteriosa caso a caso.
Ao comentar relatos de entraves maiores nas negociações, com exigência adicional de informações e revisões mais detalhadas do perfil de risco, Adailton Dias afirma que o que existe é um movimento natural de maior atenção à gestão de riscos em períodos de instabilidade. Ele lembra que essa prática já faz parte do modelo de atuação da Sompo, que tradicionalmente trabalha em conjunto com corretores, embarcadores e transportadores para entender as especificidades de cada operação e construir soluções adequadas.
Mais do que impor barreiras, diz o executivo, o foco da seguradora está em equilibrar proteção, viabilidade econômica e continuidade dos negócios. Ele ressalta que a companhia é reconhecida pela consultoria em gerenciamento de riscos e que parte importante desse trabalho está justamente em estabelecer diálogo para viabilizar as operações, mitigar riscos e contribuir com expertise para que a carga chegue ao destino em segurança.
Em relação à possibilidade de aumento de franquias, limitação de coberturas ou ampliação de exclusões contratuais diante do aperto de margens das transportadoras, Dias afirma que a Sompo não adota postura padronizada ou automática de restrição. Segundo ele, a experiência da companhia mostra que soluções construídas em conjunto tendem a produzir resultados mais sustentáveis, inclusive em conjunturas excepcionais. Como exemplo, ele cita o período da pandemia, quando a seguradora atuou próxima de corretores e segurados para manter soluções ajustadas às necessidades específicas de cada cliente.
O executivo também reconhece que fatores como pressão sobre combustível e frete podem aumentar indiretamente riscos operacionais, de sinistros, fraudes ou roubo de carga. Ainda assim, pondera que esses elementos não são analisados de forma isolada. A seguradora, afirma, considera o conjunto da operação, os controles existentes, a maturidade do segurado em gestão de riscos e o histórico da carteira antes de qualquer decisão técnica. Nesse contexto, a prioridade da Sompo é atuar preventivamente, em parceria com corretores e clientes, para fortalecer a operação como um todo.
Para Adailton Dias, o momento reforça a importância de uma negociação mais colaborativa entre transportadoras, corretoras e seguradoras. Ele afirma que há espaço — e necessidade — para ampliar esse modelo de relacionamento. Segundo o executivo, a trajetória da Sompo no ramo de Transporte foi construída sobre relações duradouras, com clientes que, em média, renovam suas apólices cinco vezes, o que equivale a cerca de seis anos de relacionamento em um mercado altamente competitivo.
Dias acrescenta que a companhia mantém liderança no segmento desde 2017, alcançou participação relevante de mercado e registra índice de retenção superior a 90%. Para ele, esses indicadores mostram a assertividade da estratégia adotada e o reconhecimento, por parte de corretores e clientes, do valor agregado que uma postura de parceria pode trazer às operações de embarcadores e transportadores em um cenário cada vez mais desafiador.
Fonte: Sonho Seguro por Denise Bueno