Modelagem climática, IA e precificação inteligente: a nova fase do Seguro Rural no Brasil

O Seguro Rural brasileiro chega a 2025 com desafios inéditos: país deve registrar o menor nível de cobertura da série histórica - apenas 2,3% dos 97 milhões de hectares plantados receberão Seguro Rural subvencionado, cerca de 2,2 milhões de hectares protegidos. O restante, 95% da área agrícola, ficará exposto a perdas severa.

O corte de R$ 445 milhões no orçamento do PSR reduziu drasticamente a capacidade de contratação. O número de apólices caiu de 135,5 mil (2024) para menos de 80 mil (2025), afetando principalmente pequenos e médios produtores, que representam mais de 90% das contratações.

No mesmo período, o risco climático aumentou: eventos extremos associados ao La Niña previsto para 2026 tendem a intensificar secas no Centro-Sul e excesso de chuvas no Norte e Nordeste. Indenizações até junho de 2025 somaram R$ 2,5 bilhões, alta de 16% sobre 2024. Já a arrecadação acumulada até agosto registrou queda de 6,7%, chegando a R$ 8,7 bilhões.

Modelagem climática e agricultura regenerativa: a nova base da subscrição

Apesar da retração, o setor segurador brasileiro vive um salto tecnológico. A combinação entre modelagem climática, sensoriamento remoto, indicadores agroambientais e agricultura regenerativa está inaugurando uma nova lógica de precificação.

O marco mais relevante é o Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM), criado por MAPA e Embrapa. Pela primeira vez, o risco é calculado por talhão, usando dados objetivos:

  • análise físico-química do solo
  • cobertura de palhada
  • tempo sem revolvimento
  • diversificação de culturas
  • sensoriamento remoto e séries históricas climáticas

Destaques:

  • Produtores com manejo comprovado podem receber subvenção de até 35%, contra o padrão de 20%
  • O piloto iniciado no Paraná já envolve 29 áreas, somando 2.400 hectares, com resultados promissores na redução de perdas associadas à seca
  • Esse modelo inaugura o Seguro Rural inteligente, no qual o risco deixa de ser generalizado e passa a refletir as práticas reais de manejo e adaptação

IA, ciência de dados e geoespacialização aceleram a precisão do seguro rural

A inovação avança com iniciativas como o Consórcio Reg.IA, com participação de Brasilseg e Produzindo Certo, que integra:

  • dados climáticos
  • indicadores de agricultura regenerativa
  • imagens de satélite
  • geoprocessamento
  • inteligência artificiais

Essas ferramentas permitem:

  • precificação mais justa baseada em risco real
  • renovações técnicas orientadas por manejo
  • identificação de vulnerabilidades por microzona
  • recomposição de coberturas com dados auditáveis
  • apoio na gestão de risco de ponta a ponta

A tecnologia coloca o Brasil na vanguarda dos seguros climáticos inteligentes, alinhando sustentabilidade, produtividade e mitigação de riscos.

Regulação avança: Resolução CNSP 485/2025 transforma subscrição e precificação

A Resolução CNSP 485/2025 representa um novo marco regulatório. Ela determina que Seguros Rurais incorporem critérios:

  • ambientais
  • sociais
  • climáticos
  • de manejo sustentável

A norma exige integração entre ciência climática e subscrição técnica, fortalecendo o uso de big data, sensoriamento remoto e verificação de boas práticas. Essa integração reduz fraudes, melhora a aderência do risco e orienta produtos mais eficazes.

Retrato do mercado: evolução histórica, desafios e tendências

Mesmo com retração recente, o seguro rural apresenta crescimento estrutural: de R$ 3,2 bilhões em 2015 para mais de R$ 14 bilhões em 2025.

Nos últimos dez anos, R$ 40 bilhões foram pagos em indenizações.

Tendências que moldam o futuro:

  • seguros paramétricos ativados por índices de chuva, temperatura ou umidade
  • expansão de fundos públicos e privados de catástrofe
  • discussões sobre seguro rural obrigatório em regiões de alto risco
  • subvenções estaduais emergentes
  • integração com cooperativas e plataformas agfintech

A digitalização do campo e o uso de IA criam bases técnicas mais robustas, reduzem incerteza e dão escala à proteção.

Por que este salto tecnológico importa para o Brasil

O Seguro Rural inteligente amplia a resiliência do agro ao:

  1. reduzir incerteza na produção
  2. proteger renda e continuidade da atividade
  3. premiar produtores sustentáveis
  4. incentivar práticas regenerativas
  5. melhorar adaptação à variabilidade climática
  6. fortalecer a segurança alimentar nacional
  7. garantir liquidez e previsibilidade às cadeias produtivas

Com recursos adequados e escalonamento dos modelos já em operação, o Brasil tem potencial para se tornar referência global em Seguro Rural orientado por dados climáticos, regeneração do solo e inteligência artificial.

Fonte: Notícias do Seguro | CNseg