Artigo: 25.000 veículos subtraídos em 2025
De acordo com o Estadão, até novembro de 2025, foram subtraídos 22.228 veículos. 138 por dia, ou 5,7 veículos por hora. É número para ninguém colocar defeito, ou melhor, é número para se pensar em brecar o mundo, pedir para descer, encostar num barranco e repassar onde é que deu errado. Porque tem que estar errado, não tem cabimento uma ordem de grandeza dessa natureza.
Não tem sentido o número ser publicado e a vida seguir em frente, como se estivesse tudo normal. Não está. Quando se subtraem 22.228 veículos em menos de um ano, algo está profundamente errado. E, no entanto, não se viu nenhuma manifestação das autoridades competentes. Ao contrário, seu silêncio passa a sensação de que estão brincando de avestruz e enterrando a cabeça no solo, em vez de enfrentarem o problema.
Tem algo que pode ser feito? Com certeza, tem. Aumentar o patrulhamento, especialmente nas áreas mapeadas como as com maior incidência de eventos, é uma alternativa interessante. Além disso, reforçar a fiscalização também costuma dar bons resultados.
Neste número estão incluídos veículos de todos os tipos, mas a maioria dos roubos e furtos é de carros e motocicletas. Os veículos populares são os mais visados. Eu poderia nomear os modelos preferidos pelos ladrões, mas não seria justo com suas montadoras, afinal este dado teria o condão de direcionar os compradores potenciais para veículos de outras marcas. Então, basta saber que os veículos populares, tanto carros como motos, encabeçam a lista.
Diante deste cenário, cabe aos proprietários e motoristas tomarem os cuidados possíveis para evitar que seus veículos sejam levados, uma parte para desmanche, outra para ser revendida e uma terceira para ser empregada pelos próprios assaltantes, inclusive para praticarem outros crimes.
No curto prazo há pouco que possa ser feito. Estamos nas férias de verão, o que aumenta as chances dos criminosos se darem bem. Nesta época é comum se prestar menos atenção em volta, estacionar em qualquer lugar, esquecer as janelas abertas e as portas destrancadas. Tudo que o bandido precisa para agir com ou sem violência, mas com certeza com mais facilidade e mais chances de se dar bem.
Importante salientar que o número não é o fechamento do ano, portanto, as chances de seguir crescendo até 31 de dezembro são mais do que reais, são uma certeza. Com mais ou menos 20 dias não contabilizados e 138 veículos furtados ou roubados por dia, ainda temos potencial para mais 2760 veículos desaparecerem.
A consequência deste quadro lamentável é a maioria das vítimas ficar sem seus bens e sem condições de repô-los, porque grande parte delas não tem seguro de veículos. Quanto aos que têm seguro, terão seus veículos repostos, nas condições de suas apólices, o que não é pouca coisa, diante do preço dos carros no Brasil.
As lições do desenho são óbvias. Em primeiro lugar é fundamental aumentar o patrulhamento e a fiscalização da malha viária e dos veículos, e, em segundo, contratar seguro pode ser caro, mas ainda é a melhor solução para evitar a perda de um bem de alto valor, que pode fazer falta se for subtraído.
Antonio Penteado Mendonça é escritor, advogado sócio da Penteado Mendonça e Char, formado pela USP, com especialização em Direito Ambiental pelo DSE, na Alemanha, e em Seguros pela FGV-Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Também é professor, palestrante, escritor e ex-presidente da Academia Paulista de Letras.
Fonte: Estadão | Por Antonio Penteado Mendonça | ENS