Seguro de vida ganha relevância em cenário de instabilidade econômica


A inflação resistente, os juros elevados e a insegurança no mercado de trabalho têm levado brasileiros a rever prioridades financeiras. Dados da Susep mostram que os seguros de pessoas cresceram acima da média do mercado em 2025. Já a Fenaprevi aponta avanço de dois dígitos no seguro de vida, impulsionado pela busca por proteção de renda e liquidez em períodos de crise.

Esse movimento ocorre em um cenário de fragilidade financeira. Levantamentos do IBGE mostram que mais de 70% dos brasileiros não possuem reserva suficiente para enfrentar perdas prolongadas de renda, o que amplia o papel do seguro de vida como instrumento de estabilidade econômica, e não apenas de proteção contra eventos extremos.

Para Leandro Lago, corretor de seguros e especialista em proteção patrimonial, sucessão e gestão de riscos financeiros, proprietário do Grupo Futuro, corretora especializada em seguros de vida, planos empresariais e soluções de proteção para famílias e pequenas e médias empresas, a mudança é estrutural. “Quando o orçamento fica pressionado e o futuro parece incerto, as pessoas entendem que proteger a renda e o patrimônio deixa de ser opcional”, afirma.

A demanda cresce tanto entre famílias quanto entre empreendedores. No ambiente empresarial, o seguro de vida coletivo e as coberturas para sócios e pessoas-chave ganham espaço como ferramentas de continuidade do negócio.

Segundo Leandro, muitas pequenas e médias empresas ainda tratam o seguro como custo, o que amplia vulnerabilidades em momentos críticos. “A ausência de proteção pode comprometer a operação de uma empresa de um dia para o outro. Seguro é parte da estratégia de sobrevivência do negócio”, diz.

Além da proteção financeira imediata, o produto também cumpre papel relevante na sucessão patrimonial. Em um país onde processos de inventário podem se arrastar por anos, o seguro de vida se destaca pela liquidez rápida e pela possibilidade de garantir recursos aos herdeiros sem burocracia. “É um dos poucos instrumentos que entrega capital no momento exato em que a família mais precisa”, observa.

O avanço do setor também está ligado à diversificação das coberturas. Produtos com proteção em vida, como invalidez, doenças graves e renda temporária, ampliaram o interesse de consumidores que antes associavam o seguro apenas ao falecimento. Esse redesenho acompanha um consumidor mais atento às condições contratuais e à necessidade de personalização. “Não existe mais solução padrão. A proteção precisa refletir a realidade financeira, profissional e familiar de cada pessoa”, avalia.

O especialista alerta, no entanto, que o crescimento da procura exige mais critério na contratação. Escolher apenas pelo preço, não revisar apólices ao longo do tempo e desconhecer as coberturas estão entre os erros mais comuns. “Seguro mal contratado gera falsa sensação de segurança. Orientação técnica é fundamental”, aponta.

O especialista aponta cinco cuidados e vantagens essenciais na contratação do seguro de vida

Antes de definir o produto, é importante compreender que o seguro deve acompanhar a fase de vida e os objetivos financeiros do contratante. A seguir, pontos considerados centrais no processo de decisão.

1 – Avaliar a real necessidade de cobertura

O valor segurado deve considerar renda, despesas fixas, dívidas, sonhos, inventários e responsabilidades familiares ou societárias, evitando tanto a subproteção quanto excessos desnecessários.

2 – Priorizar coberturas em vida

Proteções como invalidez, doenças graves, necessidade de cirurgia e renda temporária ampliam a utilidade do seguro e respondem a riscos mais frequentes do que o falecimento.

3 – Revisar a apólice periodicamente

Mudanças de renda, patrimônio ou estrutura familiar exigem atualização do contrato para manter a proteção alinhada à realidade atual.

4 – Verificar a solidez da seguradora e da corretora

Empresas autorizadas pela Susep e corretores especializados reduzem riscos operacionais e garantem melhor orientação ao longo do contrato.

5 – Integrar o seguro ao planejamento financeiro

Quando combinado com previdência e outros instrumentos, o seguro contribui para estabilidade de longo prazo e preservação patrimonial.

Para Lago, o cenário econômico tende a reforçar ainda mais esse movimento nos próximos anos. “Em momentos de instabilidade, a proteção deixa de ser um detalhe e passa a ser a base de qualquer planejamento financeiro consistente”, conclui.

Fonte: Seguro Catarinense Por Grupo Futuro