Da Revista de Seguros: com a crise hídrica, o Brasil começa a encarar o fim do mito da água inesgotável

A ideia de que o Brasil é um país de água abundante começa a ser questionada. Nos últimos anos, sinais claros mostram que a segurança hídrica passou a ser um desafio real, com impactos ambientais, econômicos e sociais cada vez mais visíveis.

Exatamente uma década após a maior crise hídrica de sua história, o estado de São Paulo volta a enfrentar dificuldades de abastecimento. Ao mesmo tempo, regiões como a Amazônia e o Pantanal registram secas severas e redução significativa das áreas cobertas por água. Estudos recentes indicam que o país já perdeu quase dois milhões de hectares de superfície hídrica nas últimas quatro décadas.

O alerta não vem apenas do campo ambiental. Pesquisas apontam que, até 2050, o aumento das temperaturas e o crescimento econômico devem elevar significativamente a demanda por água no Brasil. Isso ocorre em um cenário em que o país ainda enfrenta altos níveis de desperdício e desafios estruturais no saneamento básico.

Especialistas destacam que o problema vai além do abastecimento doméstico. A escassez de água afeta diretamente setores produtivos estratégicos - como agricultura, indústria e energia - e pode comprometer o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida da população.

Outro ponto crítico é a degradação de biomas fundamentais para o equilíbrio hídrico do país. O Pantanal, por exemplo, já perdeu grande parte de sua superfície alagada em relação à média histórica, resultado de uma combinação de secas intensas, desmatamento e mudanças climáticas.

Esse cenário coloca a gestão da água no centro do debate climático global. Com a realização da COP30 em Belém, o Brasil teve a oportunidade de reforçar seu papel na discussão sobre soluções para segurança hídrica e adaptação às mudanças climáticas.

Mas a crise hídrica também traz novos desafios para a economia e para o mercado segurador. A crescente frequência de eventos climáticos extremos, como secas e inundações, aumenta os riscos para diversos setores produtivos e exige revisão dos modelos de análise de risco utilizados pelas seguradoras.

Nesse contexto, cresce a percepção de que o setor de seguros pode desempenhar um papel estratégico na construção de soluções para um futuro mais resiliente, incentivando práticas sustentáveis e ajudando a mitigar os impactos de eventos climáticos.

 A reportagem completa da Revista de Seguros número 935 aprofunda esse debate, trazendo dados inéditos, análises de especialistas e os impactos da crise hídrica para a economia e o setor segurador.

Fonte: CNseg | Notícias do Seguro