Seguros ganham espaço na proteção da infraestrutura diante dos riscos climáticos

A crescente frequência de eventos climáticos extremos está ampliando a necessidade de incorporar mecanismos de proteção financeira aos projetos de infraestrutura no Brasil. O tema foi debatido durante o painel “Os desafios da infraestrutura no Brasil”, realizado no Fórum BandNews B3, que reuniu representantes do setor financeiro, infraestrutura, saneamento e seguros.
Ao longo do debate, especialistas destacaram que enchentes, secas, interrupções operacionais e outros impactos associados às mudanças climáticas passaram a influenciar diretamente a viabilidade econômica de projetos de longo prazo, exigindo novas formas de gestão de riscos, financiamento e proteção patrimonial.
Nesse contexto, o setor segurador foi apontado como um dos agentes capazes de fortalecer a resiliência da infraestrutura brasileira, ampliando a capacidade de resposta diante de eventos extremos e contribuindo para a atração de investimentos.
Infraestrutura enfrenta novos riscos climáticos
A diretora de Sustentabilidade da CNseg, Cláudia Prates, destacou que os riscos climáticos deixaram de ser eventos excepcionais para se tornar um fator permanente de planejamento.
Segundo ela, estudos realizados pela CNseg identificaram um déficit de proteção securitária próximo de 90% no Brasil quando se analisam os prejuízos associados a eventos climáticos extremos.
“Grande parte da infraestrutura brasileira ainda não possui proteção adequada para eventos climáticos. Isso significa que, quando ocorrem desastres, os custos acabam recaindo principalmente sobre governos, empresas e a sociedade”, afirmou.
A executiva explicou que muitos contratos de infraestrutura foram estruturados em um período no qual os efeitos das mudanças climáticas ainda não eram considerados de forma relevante nos modelos de risco.
Hoje, porém, a situação é diferente.
“O aumento da temperatura global e a aceleração dos eventos extremos transformaram o risco climático em um elemento central para o fluxo de caixa dos projetos”, observou.
Seguros podem ampliar a segurança dos investimentos
Durante o painel, foi destacado que projetos de infraestrutura dependem de contratos de longo prazo, frequentemente superiores a 30 anos.
Para atrair investidores nacionais e internacionais, é necessário oferecer previsibilidade financeira e mecanismos que reduzam a exposição a riscos não controláveis.
Nesse cenário, o seguro passa a desempenhar papel estratégico.
Além de proteger ativos físicos, as coberturas securitárias ajudam a reduzir incertezas associadas a eventos climáticos, interrupções operacionais e prejuízos financeiros decorrentes de desastres naturais.
Segundo Cláudia Prates, o setor segurador pode atuar em diferentes camadas de proteção, compartilhando riscos com financiadores, resseguradoras e poder público.
“O seguro não substitui políticas públicas nem investimentos em adaptação climática. Mas ele pode funcionar como um instrumento importante para aumentar a resiliência econômica dos projetos”, explicou.
PPPs e concessões precisam incorporar o risco climático
Outro ponto destacado foi a necessidade de incluir os riscos climáticos desde a fase de estruturação das parcerias público-privadas (PPPs) e concessões.
A avaliação dos participantes é que eventos extremos devem ser considerados na modelagem financeira, nas matrizes de risco e nos mecanismos de mitigação previstos em contrato.
Para apoiar esse processo, a CNseg participou da elaboração de um manual voltado a PPPs e concessões em parceria com órgãos federais, reunindo orientações sobre coberturas securitárias e gestão de riscos aplicáveis a projetos de infraestrutura.
A proposta é ampliar o conhecimento sobre os instrumentos disponíveis e estimular a utilização de soluções que fortaleçam a segurança dos empreendimentos.
Dados climáticos ganham importância no planejamento
Os debatedores também ressaltaram a importância crescente das informações climáticas para o desenvolvimento da infraestrutura.
Ferramentas de modelagem de risco, projeções meteorológicas e plataformas públicas de monitoramento permitem avaliar com maior precisão a exposição de ativos a enchentes, secas, aumento do nível do mar e outros eventos extremos.
No caso do saneamento, por exemplo, a necessidade de garantir segurança hídrica em um cenário de mudanças climáticas já influencia o planejamento de investimentos de longo prazo.
Segundo os participantes, incorporar essas informações desde a fase inicial dos projetos tende a reduzir perdas futuras e aumentar a eficiência dos investimentos.
Resiliência como requisito para o futuro
O debate reforçou que infraestrutura, clima e seguros estão cada vez mais conectados.
À medida que eventos extremos se tornam mais frequentes e severos, cresce a necessidade de combinar planejamento, engenharia, financiamento e proteção securitária para garantir a continuidade dos serviços essenciais e a segurança dos investimentos.
Para os especialistas, a construção de uma infraestrutura mais resiliente exigirá não apenas mais recursos, mas também uma visão integrada de riscos capaz de preparar o país para os desafios climáticos das próximas décadas.
Fonte: CNseg | Notícias do Seguro