Microsseguros podem ampliar acesso à proteção no Brasil


Os microsseguros são produtos desenvolvidos para levar proteção a públicos com necessidades específicas, como pessoas de baixa renda, microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte. O tema ganhou destaque em conteúdo publicado originalmente pelo Valor Econômico, a partir de debates da Jornada Valor de Jornalismo em Seguros, realizada em São Paulo em parceria com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

O desafio é ampliar o alcance do seguro no país. Levantamento da CNseg publicado pelo Notícias do Seguro em julho mostrou, por exemplo, que 29% dos automóveis e 17% das residências brasileiras possuíam seguro.

O que diferencia o microsseguro de outros seguros?

Microsseguro não significa simplesmente um seguro de valor baixo. Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a modalidade é estruturada especificamente para atender às necessidades da população de baixa renda, dos MEIs, das microempresas e das empresas de pequeno porte.

Ela também se diferencia do chamado “seguro popular”, expressão que pode ser usada para produtos de pequenos valores destinados a diferentes perfis de consumidores.

A modalidade é regulamentada pela Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) nº 409/2021. Os planos podem reunir coberturas de pessoas ou de danos, isoladamente ou em conjunto, desde que respeitem as características e os princípios estabelecidos para o microsseguro.

Entre esses princípios estão simplicidade, facilidade de compreensão, custos e formas de distribuição adequados ao público, informações claras, atenção às necessidades do cliente, educação financeira e uso de inovação para ampliar o acesso.

Seguros de pessoas movimentaram R$ 41,6 bilhões no primeiro semestre

A reportagem do Valor Econômico também apresenta dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), elaborados a partir de informações da Susep.

Segundo o levantamento, os seguros de pessoas movimentaram R$ 41,6 bilhões em prêmios no primeiro semestre de 2026, crescimento de 10% na comparação com o mesmo período de 2025. Os pagamentos de sinistros chegaram a R$ 8,9 bilhões, alta de 7,9%.

Esse universo reúne produtos como seguro de vida, acidentes pessoais, prestamista e cobertura para doenças graves. Os valores, portanto, mostram a dimensão do segmento de seguros de pessoas e não representam exclusivamente o mercado de microsseguros.

O que os números mostram sobre microsseguros?

Nos dados divulgados pela Susep, a linha de microsseguros aparece entre os seguros de danos.

No acumulado até junho de 2026, foram registrados R$ 400 milhões em prêmios, redução nominal de 55,04% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Até julho, o montante alcançou R$ 450 milhões, ainda 53,86% abaixo do registrado nos sete primeiros meses do ano anterior em termos nominais. Considerada a inflação, a retração foi de 55,82%.

A regulamentação permite, entretanto, que planos de microsseguro contem com coberturas de danos ou de pessoas. Por isso, o dado divulgado nesse recorte da Susep ajuda a acompanhar parte do mercado, mas não representa sozinho todas as possibilidades da modalidade.

Ampliar o acesso depende de mais do que preço

A importância dos microsseguros está justamente no desenho voltado a públicos que nem sempre são alcançados pelos modelos tradicionais de proteção. A regulamentação determina que coberturas, custos, formas de distribuição e procedimentos sejam compatíveis com as características e necessidades desses consumidores.

Fábio Nogi, superintendente de Inovação e Odontologia da Seguros Unimed, chamou atenção para a dificuldade que parte da população ainda encontra para compreender a linguagem utilizada pelo setor e defendeu uma abordagem mais próxima das necessidades dos consumidores.

Gustavo Romero, head de Novos Negócios da MetLife no Brasil e VP Xcelerator Brasil, destacou a possibilidade de integrar a proteção à jornada digital do consumidor, inclusive em situações relacionadas à proteção de renda e à compra de ingressos.

A evolução dos canais de distribuição pode facilitar o acesso ao seguro, mas há uma diferença importante entre conceitos: seguro embutido e microsseguro não são sinônimos.

O microsseguro é uma modalidade com público, características e princípios definidos pela regulamentação. Já o seguro embutido descreve uma forma de integrar a oferta de proteção a outra jornada de compra ou contratação.

Educação em seguros também pode ampliar o acesso

Levar proteção financeira a um número maior de brasileiros passa também pela informação.

A reportagem do Valor destacou uma iniciativa da CNseg com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) voltada à educação financeira e à educação em seguros. A parceria também foi divulgada institucionalmente pela CNseg em maio de 2026.

No caso dos microsseguros, esse aspecto ganha importância adicional. A própria regulamentação da modalidade inclui a educação financeira entre seus princípios e prevê que as informações sejam apresentadas de maneira que os consumidores consigam compreender os produtos oferecidos e sua relação com a gestão das próprias finanças.

Microsseguros podem aproximar proteção de novos públicos

Os microsseguros ocupam um espaço específico no sistema de proteção brasileiro. Sua proposta é aproximar o seguro de pessoas e pequenos negócios com necessidades próprias, combinando simplicidade, acessibilidade, clareza, formas adequadas de distribuição e coberturas compatíveis com esses públicos.

A evolução desse mercado pode ser acompanhada não apenas pelo volume de prêmios, mas também pelo número de apólices, quantidade de pessoas protegidas, tipos de cobertura contratados e alcance dos canais de distribuição.

Quanto mais esses produtos conseguirem se integrar à realidade financeira e às necessidades cotidianas de consumidores e pequenos negócios, maior poderá ser sua contribuição para ampliar o acesso ao seguro no Brasil.

Perguntas e respostas

O que é microsseguro?

É uma modalidade de seguro estruturada para atender às necessidades específicas de pessoas de baixa renda, MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte, de acordo com as regras da Susep.

Microsseguro é apenas um seguro mais barato?

Não. Preço e acessibilidade são importantes, mas a modalidade envolve também público específico, adequação das coberturas, simplicidade, distribuição, transparência e outros princípios regulatórios.

Os R$ 41,6 bilhões divulgados pelo Valor Econômico são de microsseguros?

Não. O valor divulgado pela FenaPrevi corresponde ao conjunto de seguros de pessoas considerado no levantamento, que inclui produtos como seguro de vida, acidentes pessoais, prestamista e cobertura para doenças graves.

Como acompanhar a evolução dos microsseguros?

Além do volume de prêmios, indicadores como número de apólices, pessoas protegidas, tipos de cobertura e alcance dos canais de distribuição ajudam a mostrar como a modalidade está chegando a novos públicos.

Fonte: CNseg | Notícias do Seguro