Mais dados, mais opções? Como o Open Insurance pode mudar a escolha do consumidor


Na hora de contratar um seguro, é comum surgirem dúvidas: quais coberturas escolher? O que está incluído no produto? Quanto custa? Existem outras opções que podem atender melhor às necessidades do consumidor?

Com o avanço do Open Insurance, essa jornada pode ganhar novas possibilidades. O sistema permite que o consumidor autorize o compartilhamento de suas informações entre participantes habilitados, seguindo padrões de segurança, privacidade e integração definidos pela regulamentação.

A partir dessas informações, podem ser desenvolvidas ferramentas para facilitar a pesquisa, a comparação e a contratação de produtos de seguros. Entre as possibilidades apresentadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) estão comparadores, marketplaces e outros serviços digitais.

O que pode mudar para quem procura um seguro?

Imagine um consumidor interessado em contratar um seguro para o carro. Em vez de consultar diferentes canais separadamente, uma plataforma poderia reunir informações sobre produtos de diferentes seguradoras em um mesmo ambiente.

Essa é uma das possibilidades associadas ao Open Insurance. A ideia é que novos serviços digitais possam facilitar o acesso a informações e permitir que o consumidor compare diferentes alternativas.

Na prática, isso pode tornar a pesquisa mais integrada e ajudar o cliente a conhecer melhor as opções disponíveis antes de tomar uma decisão.

Isso não significa, porém, que a escolha deva considerar apenas o preço.

Coberturas, limites de indenização, franquias, carências, riscos excluídos e demais condições previstas no contrato continuam sendo pontos importantes na comparação entre produtos.

Dados podem contribuir para uma experiência mais personalizada

Outra possibilidade está relacionada ao uso dos dados para desenvolver experiências mais adequadas às necessidades de cada consumidor.

No Open Insurance, determinadas informações podem ser compartilhadas mediante autorização do cliente. Esses dados podem contribuir para que novas ferramentas apresentem produtos e serviços considerando características específicas do consumidor.

A Susep prevê, por exemplo, a possibilidade de serviços de agregação de dados e informações. O objetivo é permitir que os dados compartilhados de forma autorizada sejam utilizados em novas soluções dentro do ecossistema.

Essa personalização, no entanto, não significa necessariamente que o consumidor terá acesso a um seguro mais barato ou a condições melhores. Preços e características das apólices dependem de diferentes fatores, como o produto contratado, as coberturas escolhidas e o perfil de risco.

Mais dados podem abrir espaço para novos serviços

O compartilhamento padronizado de informações também pode contribuir para o desenvolvimento de novos modelos de distribuição e prestação de serviços.

Além das seguradoras e demais empresas participantes do mercado, o ecossistema prevê a atuação das chamadas Sociedades Processadoras de Ordem do Cliente (SPOCs), que podem prestar determinados serviços relacionados ao Open Insurance.

Entre as possibilidades estão soluções de agregação de informações, painéis de dados e outras ferramentas digitais.

Com isso, a inovação pode aparecer não apenas no produto de seguro, mas também na maneira como o consumidor encontra informações, compara alternativas e se relaciona com as empresas.

E onde entra a concorrência?

A possibilidade de comparar produtos em ambientes digitais também pode contribuir para mudanças na dinâmica de acesso às informações do mercado.

Em seu Relatório de Gestão de 2025, a Susep destaca que o Open Insurance tem potencial para estimular eficiência, inovação e concorrência nos mercados de seguros, previdência complementar aberta e capitalização.

A ideia, nesse contexto, não é afirmar que haverá automaticamente mais concorrência ou preços menores, mas que a padronização e o compartilhamento autorizado de dados podem criar condições para o desenvolvimento de novas soluções.

Para o consumidor, isso pode representar mais alternativas para pesquisar e conhecer produtos antes de contratar.

A contratação pode ficar mais digital

As mudanças também podem aparecer depois da escolha do seguro.

Segundo a Susep, o Open Insurance prevê a possibilidade de realização de diferentes serviços por meios digitais, incluindo o aviso de sinistro.

A digitalização pode, dessa forma, alcançar diferentes etapas da relação com o seguro, desde a pesquisa inicial até serviços realizados durante a vigência do produto.

Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla no setor, que já utiliza dados e tecnologia para desenvolver produtos, aprimorar processos e melhorar a experiência do consumidor.

Uma matéria publicada pelo Notícias do Seguro em fevereiro de 2025, por exemplo, mostrou como o uso de dados vem sendo associado ao desenvolvimento de novos produtos, à análise de riscos e à digitalização de serviços.

Privacidade continua no centro da discussão

Se os dados são parte importante do Open Insurance, a proteção dessas informações também ganha espaço.

O compartilhamento de dados pessoais depende da autorização do consumidor. A Susep estabelece que o sistema deve funcionar com mecanismos de segurança, privacidade e padronização.

Isso significa que o Open Insurance não representa acesso livre ou indiscriminado às informações dos clientes.

O consumidor precisa autorizar o compartilhamento dentro das regras estabelecidas para o sistema. A utilização das informações também está relacionada às finalidades para as quais o consentimento foi concedido.

A discussão sobre privacidade é especialmente relevante em um mercado que lida com diferentes tipos de informações pessoais.

O próprio Notícias do Seguro já abordou o tema em reportagem sobre Privacy by Design, mostrando como a proteção de dados pode ser incorporada desde o desenvolvimento de ferramentas e sistemas utilizados pelo mercado de seguros.

Um sistema que continua evoluindo

O Open Insurance está em processo de evolução e aperfeiçoamento regulatório.

A Susep informa que o Manual de Escopo de Dados e Serviços do Open Insurance está na versão 7.2, atualizada em maio de 2026. O documento reúne requisitos relacionados aos dados e serviços que fazem parte do sistema.

A evolução dos manuais e das soluções digitais mostra que os efeitos do Open Insurance ainda dependem da implementação e da adoção dessas ferramentas pelo mercado e pelos consumidores.

Para quem contrata um seguro, as mudanças podem aparecer gradualmente em diferentes momentos da jornada: na pesquisa por informações, na comparação de produtos, na contratação e na utilização de serviços.

Mais dados, nesse cenário, não significam simplesmente mais informações disponíveis.

A proposta é criar condições para que, quando houver autorização do consumidor, seus dados possam contribuir para novas formas de acesso a produtos e serviços de seguros, com segurança e dentro das regras estabelecidas para o sistema.

Perguntas e respostas

O que é Open Insurance?

É o Sistema de Seguros Aberto, que permite o compartilhamento autorizado de informações entre participantes dos mercados de seguros, previdência complementar aberta e capitalização, seguindo padrões de segurança, privacidade e integração.

É obrigatório compartilhar meus dados?

Não. O compartilhamento de dados pessoais depende da autorização do consumidor.

O Open Insurance pode facilitar a comparação de seguros?

Sim. Comparadores e marketplaces estão entre as possibilidades associadas ao sistema. Essas ferramentas podem reunir informações de diferentes produtos em um mesmo ambiente, facilitando a pesquisa.

O Open Insurance vai deixar o seguro mais barato?

Não necessariamente. O sistema pode ampliar as possibilidades de comparação e acesso às informações, mas os preços e as condições dependem das características de cada produto e do perfil de risco.

Meus dados podem ser usados para oferecer produtos mais personalizados?

Com a autorização do consumidor, os dados podem ser utilizados dentro das regras do sistema para desenvolver soluções que considerem informações relacionadas ao seu perfil e às suas necessidades.

O Open Insurance substitui as seguradoras?

Não. O sistema cria condições para novas formas de compartilhamento de dados e prestação de serviços, podendo complementar os canais e modelos de distribuição já existentes.

Fonte: CNseg | Notícias do Seguro